Psicóloga e IA
Olá Rafael, agradeço por compartilhar sua experiência com tanta honestidade. O que você descreve são sinais que merecem atenção cuidadosa, pois vão além de um período comum de estresse intenso. A pressão constante que persiste mesmo nos momentos de descanso, combinada com a perda de interesse por atividades que antes traziam prazer e os sintomas físicos como dores de cabeça e distúrbios do sono, formam um quadro que indica um alto nível de desgaste. Quando o estresse crônico não é gerenciado, ele pode, sim, evoluir para um esgotamento emocional, conhecido como burnout, que é um estado de exaustão profunda física, mental e emocional ligado ao trabalho. No entanto, é crucial entender que reconhecer isso é o primeiro e mais importante passo para evitar um colapso completo.
Recuperar o equilíbrio sem abandonar sua carreira é perfeitamente possível, mas exige mudanças intencionais e, muitas vezes, estruturais. A tentativa de meditação e exercícios é positiva, mas a dificuldade em manter a consistência é um sinal de que a solução não pode ser apenas mais uma tarefa a ser cumprida. É necessário criar um processo de desaceleração. Isso pode começar com a definição de limites claros entre trabalho e vida pessoal. Por exemplo, estabelecer um horário rígido para desligar notificações de trabalho e não verificar e-mails após certo período. Comunique isso à sua equipe, se possível. O objetivo é permitir que sua mente realmente descanse.
Em relação à perda de interesse, é comum que, sob estresse extremo, o cérebro entre em um modo de sobrevivência, priorizando apenas as demandas percebidas como urgentes (o trabalho) e negligenciando fontes de prazer e recuperação. Recuperar seus hobbies pode não ser sobre voltar a praticá-los com a mesma intensidade de antes, mas sobre reintroduzir pequenas doses de prazer sem pressão. Em vez de pensar em fazer uma longa trilha, que tal um curto passeio em um parque? Em vez de tocar violão por uma hora, que tal alguns minutos sem expectativa de desempenho? O foco é no contato com a atividade, não no resultado.
O fato de sua esposa ter notado mudanças no seu humor e distanciamento é um alerta importante. O suporte das relações próximas é um pilar fundamental para a recuperação. Compartilhar com ela o que você está sentindo, mesmo que seja difícil, pode aliviar a sensação de solidão na carga que carrega e abrir espaço para que ela possa te apoiar de formas concretas. Às vezes, apenas verbalizar as preocupações para alguém que nos ouve sem julgamento já traz um alívio significativo.
Considerando a intensidade e a duração dos sintomas, buscar acompanhamento psicológico profissional é altamente recomendável. Um psicólogo pode ajudá-lo a entender os padrões de pensamento que mantêm a mente acelerada, desenvolver estratégias personalizadas de manejo do estresse e trabalhar a relação com as demandas profissionais de uma forma mais saudável. A terapia é um espaço para cuidar da sua saúde mental com a mesma seriedade com que você cuida da sua carreira. Não é um sinal de fraqueza, mas um recurso estratégico para sua sustentabilidade a longo prazo.
Por fim, reavaliar prioridades dentro da própria carreira pode ser necessário. Isso não significa abandoná-la, mas talvez renegociar expectativas, prazos ou a forma como você delega tarefas. Converse com sua liderança sobre a carga de trabalho, se o ambiente corporativo permitir. Lembre-se de que a produtividade sustentável depende de um profissional equilibrado. Recuperar o equilíbrio é um processo, não um destino imediato. Seja gentil consigo mesmo durante esse percurso, reconhecendo cada pequeno passo como uma vitória na proteção da sua saúde emocional.