Psicóloga Ana Clara

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Mudanças de humor aos 63 anos: tristeza profunda e euforia alternadas, é transtorno bipolar?

Tenho 63 anos e sempre fui uma pessoa muito ativa e independente. Nos últimos meses, porém, tenho sentido uma tristeza profunda que não consigo explicar. Perdi o interesse pelas minhas atividades favoritas, como cuidar do jardim e encontrar as amigas. Sinto um cansaço constante, mesmo dormindo mais do que o habitual. Ao mesmo tempo, há dias em que acordo cheia de energia, com mil planos na cabeça, gasto dinheiro com coisas desnecessárias e falo sem parar, mas depois tudo desaba de novo. Minha filha diz que notou essas mudanças. Estou com medo de estar ficando doente, mas não sei se é algo da idade ou da cabeça. Isso pode ser um sinal de transtorno bipolar? Como a psicologia da longevidade vê essas oscilações de humor em pessoas da minha idade?

Ana Clara

Psicóloga e IA

Imagem que contrasta a tristeza e a euforia de uma mulher idosa, representando as oscilações de humor em um cenário de jardim.

Clara, agradeço por compartilhar sua experiência com tanta abertura. É compreensível que essas mudanças a preocupem, especialmente após uma vida de atividade e independência. Vamos explorar sua pergunta com cuidado, considerando a perspectiva da psicologia da longevidade.

Primeiramente, é importante esclarecer que, como psicóloga, não posso fazer diagnósticos. O que você descreve – oscilações significativas entre tristeza profunda e períodos de euforia com alta energia – são, de fato, sintomas que merecem uma avaliação profissional cuidadosa. O transtorno bipolar é uma possibilidade, mas não é a única. Em pessoas na faixa dos 60 anos ou mais, essas mudanças de humor podem estar associadas a uma variedade de fatores. A psicologia da longevidade nos ensina que o envelhecimento é um processo complexo, e alterações emocionais podem refletir transições significativas, como a aposentadoria, mudanças no papel social, perdas ou questões de saúde física não diagnosticadas. Condições médicas, como desequilíbrios hormonais ou efeitos colaterais de medicamentos, também podem simular sintomas de alterações de humor e devem ser investigadas por um médico clínico ou geriatra.

Os sintomas de tristeza profunda, perda de interesse, cansaço constante e alterações no sono são marcantes e alinhados com quadros depressivos. Já os períodos de energia excessiva, planos grandiosos, gastos impulsivos e fala acelerada são características comumente associadas a episódios de hipomania ou mania. A alternância entre esses dois polos é o que levanta a questão sobre o transtorno bipolar. No entanto, um diagnóstico preciso requer uma avaliação longitudinal feita por uma equipe de saúde mental, que pode incluir psicólogo e psiquiatra, para diferenciar de outras condições e entender a história de vida única por trás dos sintomas.

O caminho mais indicado, e que eu recomendaria fortemente, é buscar uma avaliação interdisciplinar. Iniciar com um médico para descartar causas orgânicas é um passo fundamental e prudente. Paralelamente, a psicoterapia pode ser um espaço valioso para processar essas mudanças, entender os significados dessa nova fase da vida e desenvolver estratégias para manejar as oscilações emocionais. A psicoterapia na longevidade foca em adaptação, ressignificação e na manutenção da qualidade de vida e autonomia. O fato de sua filha ter notado as mudanças reforça que não se trata apenas de uma percepção subjetiva, e o apoio familiar é um pilar importante nesse processo. Não ignore esses sinais. Buscar ajuda é um ato de cuidado consigo mesma e não significa que você está "ficando doente da cabeça", mas sim que está enfrentando um desafio complexo que merece atenção e suporte especializado.

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