Psicóloga e IA
Olá Rafael, agradeço por compartilhar sua experiência. O que você descreve parece ser um ritual compulsivo, um comportamento que muitas vezes surge como tentativa de controlar a ansiedade. É compreensível que isso esteja causando sofrimento e prejuízos em sua rotina. A relação com a preocupação excessiva de sua mãe com segurança durante sua infância é um fator relevante a se considerar, pois padrões de ansiedade podem ser aprendidos ou influenciados pelo ambiente familiar, mesmo sem um evento traumático específico. Você pode ter internalizado uma necessidade extrema de controle e prevenção de perigo.
Para quebrar este ciclo, é fundamental buscar ajuda profissional de um psicólogo especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ou em abordagens para transtornos obsessivo-compulsivos. A terapia trabalhará na raiz da ansiedade e nas crenças por trás do ritual. Um processo comum é a exposição e prevenção de resposta (EPR), onde você gradualmente se expõe à situação (ex: sair de casa) e resiste ao comportamento compulsivo, começando por reduzir as verificações de sete para seis vezes, e assim por diante. Isso deve ser feito de forma planejada para que a ansiedade diminua com o tempo, sem que você se sinta em perigo real.
Paralelamente, práticas de atenção plena (mindfulness) podem ajudar a observar os pensamentos ansiosos sem julgamento, reduzindo a urgência de agir sobre eles. Técnicas de respiração e relaxamento também são úteis para manejar a ansiedade no momento. É importante lembrar que a segurança não depende da execução perfeita do ritual, mas essa percepção leva tempo para se consolidar. Evitar sair, como você mencionou, só reforça o ciclo, pois alivia a ansiedade a curto prazo, mas a mantém a longo prazo. O objetivo não é eliminar a preocupação, mas aprender a tolerar a incerteza. Com apoio profissional consistente, é possível recuperar o controle sobre sua vida e reduzir significativamente o impacto desse ritual.