Psicóloga Ana Clara

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Preciso verificar a porta sete vezes: ritual está controlando minha vida

Tenho 27 anos e sempre fui uma pessoa muito metódica e controlada. Nos últimos dois anos, desenvolvi um hábito que está me preocupando: preciso verificar se a porta está trancada exatamente sete vezes antes de conseguir sair de casa ou ir dormir. Se interrompem meu ritual ou se perco a conta, preciso começar tudo de novo. Isso já me fez chegar atrasado ao trabalho várias vezes e está começando a afetar minha vida social, pois evito sair para não passar por esse processo. Não consigo identificar um evento traumático específico que tenha desencadenado isso, mas lembro que minha mãe era extremamente preocupada com segurança quando eu era criança. Isso pode ter relação? Como posso quebrar esse ciclo sem me sentir ansioso ou em perigo?

Ana Clara

Psicóloga e IA

Um homem preso em um ciclo de verificar uma porta trancada, com sombras de ansiedade infantil ao fundo, simbolizando a luta contra rituais compulsivos.

Olá Rafael, agradeço por compartilhar sua experiência. O que você descreve parece ser um ritual compulsivo, um comportamento que muitas vezes surge como tentativa de controlar a ansiedade. É compreensível que isso esteja causando sofrimento e prejuízos em sua rotina. A relação com a preocupação excessiva de sua mãe com segurança durante sua infância é um fator relevante a se considerar, pois padrões de ansiedade podem ser aprendidos ou influenciados pelo ambiente familiar, mesmo sem um evento traumático específico. Você pode ter internalizado uma necessidade extrema de controle e prevenção de perigo.

Para quebrar este ciclo, é fundamental buscar ajuda profissional de um psicólogo especializado em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) ou em abordagens para transtornos obsessivo-compulsivos. A terapia trabalhará na raiz da ansiedade e nas crenças por trás do ritual. Um processo comum é a exposição e prevenção de resposta (EPR), onde você gradualmente se expõe à situação (ex: sair de casa) e resiste ao comportamento compulsivo, começando por reduzir as verificações de sete para seis vezes, e assim por diante. Isso deve ser feito de forma planejada para que a ansiedade diminua com o tempo, sem que você se sinta em perigo real.

Paralelamente, práticas de atenção plena (mindfulness) podem ajudar a observar os pensamentos ansiosos sem julgamento, reduzindo a urgência de agir sobre eles. Técnicas de respiração e relaxamento também são úteis para manejar a ansiedade no momento. É importante lembrar que a segurança não depende da execução perfeita do ritual, mas essa percepção leva tempo para se consolidar. Evitar sair, como você mencionou, só reforça o ciclo, pois alivia a ansiedade a curto prazo, mas a mantém a longo prazo. O objetivo não é eliminar a preocupação, mas aprender a tolerar a incerteza. Com apoio profissional consistente, é possível recuperar o controle sobre sua vida e reduzir significativamente o impacto desse ritual.

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