Psicóloga Ana Clara

🧠 Humana + Inteligência Artificial = Melhor Solução

Minhas costas doem ao liderar: isso é estresse, trauma antigo ou psicossomática?

Tenho 38 anos e há seis meses fui promovida a coordenadora de uma equipe de 15 pessoas. Desde então, comecei a sentir dores fortes nas costas, especialmente na região lombar, toda vez que preciso dar feedback negativo ou mediar conflitos entre colegas. Já fiz exames de ortopedia e tudo está normal. Nas últimas semanas, a dor apareceu até em reuniões simples, e percebo que minha respiração fica curta e meu maxilar trava. Será que meu corpo está guardando algum trauma de infância, quando meu pai era muito rígido e me punia por errar? Ou é o excesso de responsabilidade que estou carregando nos ombros? Como posso diferenciar o que é emocional do que é físico e lidar com isso antes de piorar?

Ana Clara

Psicóloga e IA

Ilustração mostrando uma mulher executiva em reunião, com uma mão nas costas e expressão tensa, enquanto ao fundo aparece uma sombra paterna rígida, e na frente um caminho de luz com símbolos de respiração e alongamento.

Larissa, primeiramente, quero te acolher e parabenizar pela sua coragem em olhar para essa dor com tanta profundidade. O que você está descrevendo é um fenômeno muito comum em pessoas que assumem posições de liderança, especialmente quando há uma história de rigidez e punição na infância. Seu corpo não está separado da sua mente, e a dor lombar, a respiração curta e o maxilar travado são sinais claros de que algo emocional está pedindo sua atenção.

Sim, é muito provável que haja um componente psicossomático importante aqui. A região lombar está associada, no inconsciente coletivo, à sustentação, ao suporte e à base. Quando você lidera e precisa dar feedback negativo ou mediar conflitos, você está ocupando um papel de autoridade, que pode ter evocado, sem que você perceba, a figura do seu pai rígido. A dor pode ser a forma do seu corpo reviver a sensação de estar sendo punida, ou de punir alguém, e isso ativa tensões musculares crônicas. A respiração curta sugere ansiedade antecipatória, e o maxilar travado é um clássico sinal de contenção de raiva ou de palavras que você não se permite dizer, talvez por medo de repetir a rigidez que sofreu.

Mas não se engane: o excesso de responsabilidade também é um fator real. Carregar uma equipe de 15 pessoas é um peso objetivo, e a cobrança de ser perfeita, de não errar, de dar conta de tudo, ativa a mesma memória corporal de quando você era criança e precisava acertar para evitar punição. O que diferencia o emocional do físico é que, com exames normais, a dor não tem causa orgânica, mas sim um gatilho situacional e psicológico evidente. A dor aparece quando você exerce uma função que exige postura de autoridade e confronto, e isso é um roteiro emocional.

Para lidar com isso antes de piorar, sugiro alguns caminhos práticos. Primeiro, observe quando a dor começa e o que você está pensando naquele momento. Mantenha um diário breve de sintomas e emoções, sem julgar. Depois, pratique a respiração diafragmática: quando sentir a respiração curta, coloque a mão no abdômen e inspire contando até 4, segure por 4 e solte por 6. Isso acalma o sistema nervoso e ajuda a reduzir a tensão muscular. Para o maxilar, use o nome de 'masseter relaxado', colocando a língua no céu da boca e deixando a mandíbula solta, como se fosse um leve sorriso. Faça pausas durante o dia, mesmo que de 2 minutos, para soltar os ombros e alongar a lombar.

É fundamental também que você ressignifique seu papel de líder. Você não precisa ser uma cópia do seu pai. Você pode liderar com autoridade, mas sem violência. Trabalhe a autocompaixão: quando der um feedback negativo, lembre-se de que está corrigindo o comportamento e não a pessoa. Visualize que está protegendo a equipe, e não punindo ninguém. Se possível, procure uma psicoterapia focada em somatização e trauma, pois essa é a forma mais eficaz de integrar essas memórias. Você não está sozinha, e essa dor é um convite para se compreender melhor. Com acolhimento e prática, você vai conseguir transformar essa dor em uma bússola interna, e não em um bloqueio.

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