Psicóloga e IA
Helena, sua experiência é mais comum do que você imagina, especialmente em profissões criativas como a sua, onde o trabalho está diretamente ligado à nossa identidade e autoestima. A ansiedade que você descreve não é apenas "estresse" passageiro, mas um sinal de que seu sistema de proteção emocional está em alerta máximo, tentando evitar o que percebe como uma ameaça: o julgamento alheio. O fato de isso estar afetando sua carreira e sua confiança é um indicativo de que precisa ser trabalhado, mas também mostra que você tem consciência e disposição para mudar - e isso já é um grande passo.
Primeiro, é importante entender que o medo de críticas ou de errar em reuniões está enraizado em crenças profundas sobre o que significa ser competente. Para você, uma crítica não é apenas sobre o trabalho entregue, mas sobre quem você é como profissional e, talvez, como pessoa. Isso faz com que cada feedback seja interpretado como uma avaliação global da sua capacidade, e não como um ponto específico a ser ajustado. Reconhecer esse padrão é fundamental, porque permite que você comece a questionar esses pensamentos automáticos. Quando o cliente fez a crítica construtiva, por exemplo, sua mente pode ter pulado direto para "não sou boa o suficiente", ignorando nuances como "esse projeto precisa de ajustes, mas outros aspectos foram elogiados" ou "críticas são parte natural do processo criativo".
Uma estratégia prática para lidar com a ansiedade antes das reuniões é preparar-se não apenas tecnicamente, mas emocionalmente. Isso significa criar rituais que ajudem a acalmar seu sistema nervoso antes desses momentos. Por exemplo, você pode praticar respirações profundas (inspirar contando até 4, segurar por 4 e expirar por 6) alguns minutos antes de entrar na reunião. Essa técnica ativa o sistema parassimpático, reduzindo a resposta física da ansiedade, como o coração acelerado e as mãos suadas. Outra dica é escrever em um papel os pensamentos catastróficos que surgem ("vou gaguejar", "vão achar meu trabalho ruim") e, ao lado, contrapor com evidências reais: "já fiz apresentações antes e deu certo", "o cliente pediu ajustes, não rejeitou o trabalho". Isso ajuda a trazer a mente de volta para a realidade, em vez de ficar presa em cenários imaginários.
Além disso, é importante expor-se gradualmente às situações que geram ansiedade, em vez de evitá-las. A evitação reforça o medo, porque seu cérebro aprende que essas situações são realmente perigosas. Comece com pequenos passos: se recusar projetos com apresentações é um mecanismo de proteção, aceite um projeto menor ou com um cliente que você já conhece e confia. Celebre cada pequena vitória, como conseguir falar sem gaguejar ou receber um feedback positivo, por menor que seja. Isso ajuda a reconstruir a confiança em si mesma. Se possível, converse com seu gestor ou colegas de confiança sobre como se sente. Muitas vezes, as pessoas não percebem o quanto suas palavras podem impactar os outros, e compartilhar sua perspectiva pode até melhorar a dinâmica da equipe.
Outro ponto crucial é trabalhar na sua autocompaixão. Quando a crítica do cliente surgiu, você passou a noite remoendo-a, provavelmente se julgando com dureza. Experimente tratar a si mesma como trataria uma amiga querida na mesma situação. Você diria para ela que um erro significa que ela é incompetente? Ou lembraria que todos cometem erros e que isso não define seu valor? Pratique frases como "estou aprendendo e crescendo", "fiz o melhor que pude com as informações que tinha" ou "críticas são oportunidades de melhoria, não ataques pessoais". Essas pequenas mudanças na forma como você se fala podem reduzir a intensidade da ansiedade ao longo do tempo.
Por fim, considere buscar apoio profissional, como a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que é especialmente eficaz para ansiedade social e medo de julgamento. Um psicólogo pode ajudá-la a identificar padrões de pensamento disfuncionais e desenvolver estratégias personalizadas para lidar com essas situações. Enquanto isso, lembre-se de que a ansiedade não é sua inimiga, mas um sinal de que algo importante para você está em jogo. Com o tempo e as ferramentas certas, você pode aprender a canalizar essa energia de forma mais construtiva, transformando o medo em motivação para crescer.