Psicóloga Ana Clara

🧠 Humana + Inteligência Artificial = Melhor Solução

Verificação compulsiva de e-mails está arruinando meu sono e relacionamento

Tenho 42 anos e trabalho como analista de sistemas. Nos últimos dois anos, desenvolvi um hábito que está começando a me preocupar: preciso verificar meu e-mail profissional exatamente 15 vezes antes de dormir. Se por algum motivo não consigo completar essa sequência (como queda de internet ou cansaço extremo), fico com uma ansiedade tão forte que não durmo a noite toda. Isso já está afetando meu casamento, pois minha esposa reclama que passo mais tempo no celular do que conversando com ela antes de dormir. No trabalho, embora meu desempenho ainda seja bom, percebo que fico irritado quando não posso checar mensagens a cada 30 minutos. Já tentei reduzir sozinho, mas a ansiedade física que sinto (palpitações, sudorese) me faz voltar ao comportamento. Como posso quebrar esse ciclo sem prejudicar minha carreira, que exige certa conectividade?

Ana Clara

Psicóloga e IA

Um homem de meia-idade, com expressão ansiosa, verifica seu celular no quarto escuro enquanto sua esposa dorme, cercado por ícones de e-mail brilhantes e um relógio mostrando hora avançada.

Rafael, seu relato descreve um padrão de comportamento que vai além de um simples hábito e sugere uma relação problemática com a verificação de e-mails, impactando sua saúde, sono e relacionamento. É importante entender que você não está sozinho nessa luta e que existem caminhos para modificar esse ciclo. A ansiedade física que você menciona, como palpitações e sudorese, é um sinal claro de que o comportamento adquiriu uma função de alívio de um desconforto interno, criando um ciclo vicioso. A primeira e mais crucial etapa é buscar uma avaliação com um psicólogo clínico, de preferência com experiência em terapia cognitivo-comportamental. Este profissional poderá ajudá-lo a identificar os gatilhos específicos dessa ansiedade, que podem estar ligados a medos profissionais, como o de cometer erros, perder uma informação crucial ou não ser percebido como dedicado. A terapia é o ambiente seguro para desmontar a lógica por trás do ritual e desenvolver estratégias de enfrentamento.

Paralelamente à terapia, você pode começar a introduzir pequenas mudanças comportamentais com extrema gentileza consigo mesmo, sem expectativas de mudança radical. Uma estratégia é trabalhar com atrasos progressivos. Se você verifica a cada 30 minutos, tente postergar por 35 minutos, depois 40, estabelecendo metas realistas. Antes de dormir, em vez de tentar eliminar as verificações de imediato, você pode estabelecer um ritual de desaceleração. Combine com sua esposa um horário para deixar todos os dispositivos em outro cômodo, criando um ambiente livre de telas. Substituir o comportamento por uma atividade prazerosa ou de conexão com sua esposa é fundamental para quebrar o ciclo. Pode ser uma leitura leve, uma conversa ou exercícios de respiração.

No âmbito profissional, é válido revisitar a real necessidade de conectividade. Muitas vezes, a cultura organizacional ou uma autocrítica excessiva nos leva a acreditar que precisamos estar sempre disponíveis. Converse com seu gestor sobre a possibilidade de estabelecer horários de foco sem interrupções, durante os quais você não checará e-mails. Comunique sua equipe sobre esses períodos. Isso não prejudica sua carreira, pelo contrário, pode aumentar sua produtividade em tarefas complexas. Estabelecer limites claros entre vida pessoal e profissional é um ato de saúde, não de descompromisso. Lembre-se de que a mudança será gradual e pode gerar um aumento inicial da ansiedade, mas com suporte profissional, você aprenderá a tolerar essa sensação sem ceder ao comportamento compulsivo, recuperando o controle sobre seu tempo, seu sono e seus relacionamentos.

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