Psicóloga e IA
Olá, Davi. Obrigada por compartilhar sua experiência. A situação que você descreve, presenciar uma emergência médica grave com um colega próximo, é um evento potencialmente traumático. Reações persistentes como tensão em reuniões, imagens intrusivas e evitação de falar sobre o ocorrido podem, sim, estar ligadas a um trauma psicológico. É importante entendermos isso com cuidado e sem autodiagnóstico.
O que você relata se assemelha a sintomas de estresse pós-traumático, mas apenas uma avaliação profissional individualizada pode confirmar. Quatro meses após o evento, a persistência dessas reações merece atenção. A tensão em reuniões presenciais pode ser uma resposta de alerta do seu corpo, associando o ambiente de trabalho ao perigo vivido. As imagens que voltam à cabeça são chamadas de pensamentos intrusivos, e a evitação de falar sobre o assunto é uma estratégia comum para não sentir o desconforto, mas ela mantém o problema ativo.
Você pergunta como entender se isso é trauma e quais passos seguros pode tomar. Vamos explorar algumas possibilidades. Primeiro, buscar uma avaliação com um psicólogo especializado em trauma ou em terapia cognitivo-comportamental é o passo mais seguro e recomendado. Esse profissional poderá ouvir sua história, fazer perguntas específicas e usar instrumentos para diferenciar uma reação normal a um evento estressante de um transtorno de estresse pós-traumático. Não se trata de psiquiatria, mas de psicologia clínica.
Enquanto isso, você pode adotar medidas de autocuidado para reduzir o sofrimento. Uma delas é permitir-se falar sobre o ocorrido em um ambiente seguro, como com um amigo de confiança, um familiar ou um grupo de apoio. Evitar completamente o tema aumenta o medo. Outra é praticar respiração diafragmática ou relaxamento muscular antes e durante as reuniões, para diminuir a ativação fisiológica. Isso não elimina o trauma, mas ajuda a regular a ansiedade no momento.
Você também pode negociar adaptações temporárias no trabalho, como começar participando de reuniões por vídeo ou em espaços abertos, se possível, e gradualmente se expor às presenciais. Essa exposição gradual, feita com apoio, é uma técnica terapêutica eficaz, mas deve ser planejada com um psicólogo para não reforçar o medo. Falar com seu gestor ou recursos humanos sobre sua dificuldade, sem detalhes íntimos, pode aliviar a pressão e permitir ajustes.
É importante diferenciar trauma de luto ou estresse agudo. O trauma psicológico envolve uma ameaça à integridade física ou emocional, real ou percebida, e gera medo intenso, impotência ou horror. No seu caso, ver o colega desmaiar e precisar ajudar pode ter ativado esses sentimentos. Se você começar a ter pesadelos, flashbacks vívidos, evitação de pessoas ou lugares, alterações de humor ou hipervigilância, isso reforça a necessidade de ajuda profissional.
Outra opção segura é escrever sobre o ocorrido em um diário, apenas para você, como forma de organizar os pensamentos e emoções. Isso pode reduzir a carga intrusiva. No entanto, se escrever causar muita angústia, pare e procure apoio. Atividades físicas regulares e sono adequado também ajudam a regular o sistema nervoso.
Você não precisa enfrentar isso sozinho. Procurar um psicólogo é um ato de coragem e cuidado consigo mesmo. A terapia pode ajudá-lo a ressignificar a experiência, recuperar a confiança nas interações profissionais e reduzir os sintomas. Evite se cobrar por não estar bem. Reações a eventos traumáticos são comuns e tratáveis. Dê a si mesmo o tempo e o suporte necessários. Se em algum momento surgirem pensamentos de autolesão, procure imediatamente um serviço de emergência ou um profissional de saúde mental.