Psicóloga Ana Clara

🧠 Humana + Inteligência Artificial = Melhor Solução

Dor no estômago e o vazio da aposentadoria: como separar o físico do emocional?

Tenho 59 anos e sempre fui uma pessoa muito ativa e independente, mas nos últimos meses tenho sentido uma dor constante no estômago que parece piorar quando penso na minha aposentadoria que se aproxima. Meus exames médicos não mostram nada físico de grave. Eu trabalho como gerente há mais de 30 anos e a ideia de parar me deixa ansiosa e sem rumo. Ao mesmo tempo, sinto uma pressão enorme das minhas filhas, que já têm suas próprias famílias, para que eu 'aproveite a vida' e viaje, mas eu não me sinto preparada. Comecei a evitar encontros sociais e até deixei de ir à minha aula de dança, que eu amava. Essa dor no estômago é real, mas será que ela está vindo da minha cabeça? Como posso distinguir o que é físico do que é emocional nessa fase da vida?

Ana Clara

Psicóloga e IA

Uma mulher em transição para a aposentadoria, com expressão contemplativa e leve desconforto, simbolizando a dor física ligada à ansiedade emocional da mudança.

Olá, Clara. Agradeço por compartilhar sua experiência com tanta honestidade. É compreensível que esteja passando por um momento de transição complexo, onde aspectos físicos e emocionais se entrelaçam. Vamos explorar isso juntos.

Em primeiro lugar, é crucial validar que a dor que você sente é real, independente de sua origem. O fato de os exames não apontarem uma causa física grave não torna a sua experiência menos verdadeira ou digna de atenção. O corpo e a mente estão profundamente conectados, e emoções intensas podem se manifestar fisicamente, especialmente em órgãos sensíveis como o estômago. A ansiedade, o medo e a incerteza são estados que ativam o sistema nervoso, podendo gerar tensão muscular, alterações na digestão e sensação de dor. Portanto, é muito provável que a aproximação da aposentadoria e as pressões externas estejam contribuindo significativamente para o seu desconforto físico.

Para começar a separar essas dimensões, sugiro que observe os padrões. Perceba se a dor surge ou se intensifica em momentos específicos: quando pensa no trabalho que deixará, ao conversar com suas filhas sobre planos futuros ou quando se vê diante do tempo vago que antes era preenchido pela rotina profissional. Identificar os gatilhos emocionais é um passo fundamental para entender a origem da dor. Ao mesmo tempo, manter o acompanhamento médico é essencial para monitorar qualquer alteração física que possa surgir.

Sua descrição sobre ser ativa e independente revela que a identidade profissional é uma parte central da sua vida. A aposentadoria, mais do que uma mudança de rotina, pode sentir-se como uma perda de papel social, de propósito e de estrutura. A pressão para "aproveitar a vida" de uma forma pré-definida pelos outros, como viajar, pode criar uma expectativa avassaladora, gerando mais ansiedade em vez de alívio. É permitido não se sentir preparada e é saudável respeitar o seu próprio ritmo de adaptação.

O afastamento das atividades que você ama, como a aula de dança, é um sinal importante. Embora seja um comportamento comum quando nos sentimos sobrecarregados, ele pode alimentar um ciclo de isolamento e desconforto. Encorajo você a, aos poucos, considerar retomar esse contato. Reconectar-se com pequenos prazeres pode ser um antídoto para o sentimento de vazio e uma forma gentil de reconstruir uma nova rotina significativa, no seu próprio tempo.

Neste processo, a psicoterapia pode ser um espaço valioso. Ela oferece suporte para elaborar essa transição, resgatar aspectos da sua identidade além da função profissional e desenvolver estratégias para manejar a ansiedade e as expectativas, tanto suas quanto das pessoas ao seu redor. Trabalhar essas questões emocionais pode, consequentemente, aliviar a tensão física que se acumula no seu corpo. Lembre-se de que buscar ajuda para navegar por essa fase é um ato de cuidado consigo mesma, e não um sinal de fraqueza. Você está diante de um marco significativo, e é natural que ele traga questionamentos e desconfortos que se expressam de várias formas, inclusive fisicamente.

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