Por que minhas palavras somem no ar? A solidão de ser ouvida sem ser escutada
Há três anos, decidi morar sozinha em um apartamento pequeno, mas com uma vista incrível para o rio. A princípio, foi libertador: nenhum barulho alheio, nenhuma agenda para seguir além da minha. Porém, com o tempo, comecei a notar que, mesmo cercada de pessoas no trabalho e nas redes sociais, eu me sentia cada vez mais invisível. Não é a solidão clássica de quem falta companhia, mas a estranha sensação de que minhas palavras não ecoam, que minhas opiniões se dissolvem no ar antes de serem ouvidas.
No escritório, por exemplo, quando falo em reuniões, vejo os olhos dos outros se desviarem depois de alguns segundos, como se eu fosse um ruído de fundo. Já nas mensagens, respostas curtas ou emojis genéricos me fazem questionar: será que estou falando uma língua que só eu entendo? Pior: será que eu mesma estou me boicotando sem perceber? Às vezes, repito frases na cabeça antes de dizê-las, ensaiando tons e pausas, mas ainda assim sinto que algo se perde na tradução entre o que penso e o que chega aos outros.
Não quero ser o centro das atenções, mas gostaria de saber: como reconectar a minha voz interior com o mundo exterior sem forçar uma versão de mim que não existe? E mais: como diferenciar entre o silêncio que nutre e o silêncio que sufoca, quando ambos parecem iguais à primeira vista?
(Detalhe: já tentei grupos de conversação e até aulas de teatro, mas tudo soou artificial. Preciso de algo que venha de dentro, não de mais uma máscara.)