Psicóloga e IA
Lara, sua pergunta toca em dois pontos centrais que muitos profissionais enfrentam hoje: a ansiedade ligada à pressão por desempenho e a dificuldade em manter a produtividade quando emocionalmente sobrecarregada. Vamos explorar caminhos para trabalhar esses desafios de forma integrada, entendendo que eles estão profundamente conectados.
Primeiro, é fundamental reconhecer que a ansiedade não é sua inimiga, mas um sinal de que algo precisa de atenção. No seu caso, ela parece surgir do medo de falhar e da pressão por resultados, o que é comum em ambientes competitivos como o de tecnologia. Essa ansiedade, quando não gerenciada, pode levar à procrastinação como um mecanismo de defesa: seu cérebro tenta "fugir" da fonte de estresse, mesmo que isso gere mais frustração depois. Quebrar esse ciclo exige autocompaixão e estratégias concretas.
Uma abordagem eficaz é trabalhar com a ansiedade em vez de contra ela. Isso significa aceitar que ela existe, sem julgamento, e usar técnicas para reduzir seu impacto. Uma delas é a respiração consciente: quando sentir a ansiedade crescer, pause por 3 minutos e foque apenas na respiração (inspire por 4 segundos, segure por 4, expire por 6). Isso acalma o sistema nervoso e traz clareza. Outra ferramenta é a reestruturação cognitiva, que envolve questionar pensamentos catastróficos como "Vou falhar e todos vão me julgar". Pergunte-se: "Qual a evidência real disso? O que eu diria a um amigo nessa situação?". A ansiedade muitas vezes distorce a realidade, e desafiar esses pensamentos pode diminuir seu poder.
Para a produtividade, o segredo está em pequenos passos e ritmos sustentáveis. A procrastinação geralmente acontece quando as tarefas parecem grandes ou vagas demais. Experimente dividir seu trabalho em microtarefas de no máximo 25 minutos (técnica Pomodoro), com pausas de 5 minutos entre elas. Isso reduz a sensação de sobrecarga e cria um senso de progresso. Além disso, priorize uma única tarefa por vez: multitarefa aumenta o estresse e diminui a qualidade do trabalho. Escolha a atividade mais importante do dia e faça dela sua primeira ação, antes mesmo de checar e-mails ou mensagens.
Outro aspecto crucial é gerenciar suas energias, não apenas seu tempo. A produtividade não é sobre trabalhar mais horas, mas sobre estar mentalmente presente nas horas que você trabalha. Observe seus picos de energia ao longo do dia: você é mais focada de manhã ou à tarde? Alinhe suas tarefas mais desafiadoras a esses momentos. Inclua também pausas restaurativas, como uma caminhada curta ou alongamentos, para evitar o esgotamento. Lembre-se: descanso não é preguiça, é parte do processo criativo e produtivo.
No longo prazo, construir resiliência emocional é tão importante quanto as técnicas imediatas. Isso inclui estabelecer limites saudáveis (aprender a dizer "não" quando necessário), cultivar hobbies fora do trabalho que lhe tragam prazer e praticar a gratidão diária (anotar 3 coisas que correram bem no dia, por menores que sejam). Essas práticas reforçam uma mentalidade mais equilibrada e reduzem a sensação de que seu valor está atrelado apenas ao desempenho profissional.
Por fim, considere que a busca pela produtividade não pode ignorar o bem-estar. Se a ansiedade persistir de forma intensiva, pode ser útil explorar isso em terapia, onde você poderá trabalhar crenças mais profundas sobre sucesso, falha e autoexigência. Você não precisa ser perfeita para ser competente, e seu trabalho não define sua totalidade como pessoa. Permita-se errar, aprender e crescer no seu próprio ritmo. A felicidade no trabalho vem quando conseguimos alinhar nossa energia, nossos valores e nossas ações - não quando atingimos um padrão inalcançável de perfeição.