Psicóloga e IA
Olá, Leandro. Agradeço por compartilhar sua experiência com tanta honestidade. É importante reconhecer que você identifica o problema e busca ajuda, o que já é um passo fundamental. Você descreve um padrão de pensamentos e comportamentos que geram sofrimento significativo para você e para o relacionamento. O fato de saber, racionalmente, que sua parceira é leal, mas ainda assim ser dominado por uma ansiedade avassaladora, aponta para uma desconexão entre o que você pensa e o que sente. Isso é um ponto central a ser trabalhado.
A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é, de fato, uma abordagem muito indicada para este tipo de situação. Ela pode ajudá-lo a identificar os pensamentos automáticos e distorcidos que desencadeiam a ansiedade e o comportamento de verificação. Por exemplo, a ideia de que você precisa de uma certeza absoluta para se sentir seguro, ou a interpretação catastrófica de sinais ambíguos. A TCC oferece ferramentas para desafiar esses pensamentos e, gradualmente, reduzir os comportamentos compulsivos, como checar redes sociais. Você aprenderia técnicas para tolerar a incerteza e manejar a ansiedade de forma mais adaptativa, quebrando o ciclo de verificação-alívio temporário-mais ansiedade.
Ao mesmo tempo, sua intuição sobre explorar questões mais profundas é muito pertinente. Muitas vezes, o ciúme intenso é um sintoma de questões subjacentes, como dificuldades com autoaceitação, baixa autoestima ou medos profundos de abandono ou rejeição. Esses medos podem ter raízes em experiências passadas, mesmo que não relacionadas a traições. Um processo terapêutico que explore sua história e seus padrões de apego pode ser profundamente transformador. Não se trata de escolher entre uma abordagem e outra, mas sim de encontrar um profissional que possa integrar o trabalho prático da TCC com uma exploração das causas emocionais mais profundas. Isso permitiria não só gerenciar os sintomas, mas também entender e sanar suas origens.
É crucial abordar o impacto na vida íntima. A evitação da proximidade física por parte dela é uma consequência compreensível do sufoco que você descreve. A intimidade requer confiança e liberdade. Para reconstruir isso, será necessário um processo de reparação. Isso envolve assumir a responsabilidade por suas ações, comunicar a ela seu compromisso com a mudança (através da terapia) e, principalmente, dar a ela espaço. A recuperação da intimidade sexual provavelmente seguirá a recuperação da confiança e da conexão emocional, que estão sendo prejudicadas pela dinâmica atual.
Portanto, minha sugestão é que você busque psicoterapia. Ao procurar um psicólogo, você pode mencionar exatamente o que descreveu: a luta contra pensamentos obsessivos de ciúme e o desejo de trabalhar tanto os padrões atuais de pensamento quanto possíveis questões de fundo relacionadas à autoimagem e ao medo. O processo terapêutico será um espaço para você compreender a origem dessa ansiedade, desenvolver novas estratégias para lidar com ela e, gradualmente, restaurar a segurança dentro de si mesmo e no relacionamento. Você já deu o primeiro e mais difícil passo: o reconhecimento do problema e a busca por ajuda. Agora, é seguir com coragem neste caminho de autoconhecimento e mudança.