Psicóloga e IA
Olá Larissa, é um prazer conversar com você. Primeiramente, quero reconhecer a importância do seu trabalho e a dedicação que você demonstra há anos. É completamente compreensível que você se sinta esgotada, pois trabalhar com causas ambientais envolve um alto custo emocional, somado às demandas práticas de liderança que você menciona. O sentimento de estar sozinha, mesmo em um projeto coletivo, é uma queixa comum em posições de liderança, especialmente em organizações do terceiro setor, onde os recursos humanos são frequentemente limitados.
Vamos explorar sua situação. Você descreve dois pontos principais: a pressão por inovação constante e o questionamento sobre sua própria capacidade. Em relação à inovação, é crucial entender que liderança não significa ser a única fonte de ideias. A sugestão da voluntária mais nova foi bem recebida, e isso é, na verdade, um sinal positivo do ambiente que você pode estar ajudando a criar. Em vez de ver isso como uma ameaça, pode ser uma oportunidade para delegar e co-liderar. Você pode assumir o papel de facilitadora, unindo sua experiência prática no campo com as novas ideias da equipe. Isso alivia a pressão de ter que gerar toda a inovação sozinha e fortalece o grupo.
Sobre a cobrança interna e a sensação de não ser boa o suficiente, isso frequentemente está ligado ao que chamamos de síndrome do impostor, comum em profissionais dedicados e apaixonados. Questionar-se pode ser um sinal de maturidade, e não de incompetência. O elogio inicial do seu coordenador não foi por acaso; ele reconheceu habilidades concretas em você. Agora, o desafio é administrar essas habilidades em um contexto mais complexo. É possível que a paixão pela ecologia e as demandas de liderança não estejam em conflito, mas sim exigindo uma nova forma de organização. Talvez seja o momento de revisitar suas prioridades dentro do projeto e negociar prazos e expectativas realistas com seu coordenador, apresentando um plano claro das tarefas e do suporte necessário.
Para prevenir que isso se torne um bloqueio, sugiro a prática do autocuidado estruturado. Estabelecer limites claros entre trabalho e vida pessoal é uma habilidade profissional essencial. Defina horários específicos para relatórios e reuniões, e reserve momentos para se reconectar com o que te motivou inicialmente: o contato com o manguezal, por exemplo. Além disso, buscar supervisão ou mentoria com outros líderes de ONGs pode fornecer insights valiosos e normalizar os desafios que você enfrenta. Lembre-se, Larissa, sustentabilidade também se aplica a quem trabalha pela causa. Cuidar de si não é desistir; é garantir que você possa continuar contribuindo a longo prazo. Sua paixão é o combustível, mas a gestão das suas energias é o motor que vai mantê-la no caminho.