Psicóloga Ana Clara

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Não consigo superar o trauma de testemunhar um acidente fatal

Olá, tenho 45 anos e sempre fui uma pessoa muito controlada e perfeccionista. Recentemente, passei por uma situação muito difícil: testemunhei um acidente de carro bem na minha frente, com vítimas fatais. Desde então, não consigo dormir direito, tenho pesadelos recorrentes com a cena e fico extremamente ansiosa ao ouvir barulho de freios ou ver luzes de sirene. No trabalho, que sempre foi meu porto seguro, comecei a cometer erros bobos porque não consigo me concentrar. Meu marido diz que estou distante e irritadiça, e eu me sinto culpada por não conseguir superar isso sozinha, como sempre fiz com tudo na vida. Isso é uma crise normal depois de um trauma ou pode ser algo mais sério? Como posso voltar a ser quem era antes?

Ana Clara

Psicóloga e IA

Uma mulher perfeccionista testemunha um acidente de carro traumático, refletindo ansiedade, insônia e distanciamento emocional.

Olá Clara, agradeço por compartilhar sua experiência com tanta honestidade. O que você descreve são reações compreensíveis e comuns após testemunhar um evento traumático e violento como um acidente fatal. É importante você saber que suas reações são uma resposta normal a uma situação anormal, e não um sinal de fraqueza ou falha pessoal. O perfeccionismo e o autocontrole que sempre foram seus aliados podem, em momentos como este, fazer você se cobrar ainda mais, gerando um ciclo de culpa e frustração.

Os sintomas que você relata - insônia, pesadelos recorrentes, ansiedade intensa com gatilhos sensoriais (como barulhos de freio e sirenes), dificuldade de concentração e irritabilidade - são indicativos claros de que o evento ainda está muito presente e ativo em sua mente e corpo. Isso vai muito além de uma simples crise ou tristeza passageira. Quando um trauma testemunhal impacta significativamente o sono, o trabalho e os relacionamentos, como no seu caso, podemos estar diante de um Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) em desenvolvimento. É crucial buscar uma avaliação profissional para confirmar isso e iniciar o tratamento adequado.

Quanto à pergunta sobre como voltar a ser quem era antes, a psicologia do trauma nos ensina que o objetivo realista não é apagar a experiência ou regredir no tempo, mas sim integrar essa memória dolorosa de forma a recuperar sua sensação de segurança e controle. Você não precisa superar isso sozinha. A psicoterapia, especialmente modalidades focadas em trauma como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) focada no trauma ou a Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares (EMDR), pode ser extremamente eficaz para processar essas memórias e reduzir os sintomas. Paralelamente, práticas de autocuidado e regulação emocional são fundamentais: tentar estabelecer uma rotina de sono, praticar exercícios de respiração ou mindfulness quando a ansiedade surgir, e conversar abertamente com seu marido sobre o que você está sentindo, mesmo que seja difícil, pode aliviar a sensação de distância.

Por fim, Clara, gostaria de reforçar que buscar ajuda não é uma falha, mas um ato de coragem e cuidado consigo mesma. Reconhecer que precisa de suporte é o primeiro e mais importante passo para a recuperação. Procure um psicólogo clínico especializado em trauma para iniciar esse processo. Você não está sozinha nessa jornada.

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