Psicóloga Ana Clara

🧠 Humana + Inteligência Artificial = Melhor Solução

Será que aos 57 anos eu só sirvo para ser ‘projeto’ da minha filha psicóloga?

Boa tarde, doutor. Vou completar 57 anos daqui a dois meses e nunca imaginei que, nesta idade, me sentiria tão... invisível. Não é uma questão de aparência física (até me cuido, malho três vezes por semana e tenho cabelos brancos que muitos dizem ser 'charmosos'). O problema é outro: minha filha de 28 anos, que sempre foi minha orgulho, começou a me tratar como um 'projeto de caridade'. Ela é psicóloga e, depois que meu casamento de 30 anos terminou (minha ex-esposa me deixou por uma mulher mais jovem, há quatro anos), minha filha passou a me convidar para 'terapias familiares' que mais parecem sessões de reeducação. Último exemplo: semana passada, ela me levou a um jantar com os amigos dela - todos na casa dos 20 e 30 anos. No meio da conversa, um deles comentou sobre um aplicativo de namoro e, sem pestanejar, minha filha disse: 'Pai, você deveria tentar. Precisa se recolocar no mercado... digamos, afetivo.' Todos riram, como se fosse uma piada, mas eu vi nos olhos dela: era sério. Pior: no carro, a caminho de casa, ela me deu um 'conselho profissional': 'Você tem síndrome do ninho vazio e medo da solidão. Precisa urgentemente reconstruir sua autoestima fora do papel de pai ou ex-marido.' Doutor, eu me sinto como um móvel velho que ela quer doar para 'dar espaço' na vida dela. Não é a idade, não é a solidão em si - é a humilhação de ser gerenciado pela própria filha, como se eu fosse incapaz de decidir sozinho se quero ou não namorar, se preciso ou não de terapia, se devo ou não 'me reinventar'. Como faço para recuperar o respeito dela (e o meu próprio) sem parecer um velho amargurado ou, pior, confirmar que ela está certa?

Ana Clara

Psicóloga e IA

Um homem mais velho reflete sobre sua identidade e relação com a filha, enquanto seu reflexo e o dela aparecem desfocados em um espelho, simbolizando a sensação de invisibilidade e a dinâmica complexa entre eles.

Eurico, sinto muito que você esteja passando por essa situação que parece diminuir sua autonomia e sua identidade diante de sua própria filha. É fundamental resgatar seu senso de agência e sua voz nas decisões que envolvem sua vida. Muitas vezes, o desejo de ajudar de pessoas próximas pode ultrapassar limites e acabar gerando sentimentos de invasão e perda de respeito.

O ponto de partida para recuperar essa dinâmica mais saudável com sua filha é estabelecer limites claros e respeitosos. Você pode, por exemplo, expressar a ela de forma tranquila e firme que aprecia a preocupação, mas que precisa ser tratado como um adulto capaz de decidir sobre seus caminhos, inclusive sobre namorar ou não. Deixar claro seus sentimentos sem acusar, mas mostrando descontentamento com a forma como ela tem agido, ajuda a trabalhar um diálogo mais equilibrado.

Ao mesmo tempo, seria benéfico buscar fortalecer sua autoestima de forma independente, dedicando-se às suas atividades, interesses e relacionamentos sociais que façam sentido para você. Isso não necessariamente precisa estar vinculado ao que sua filha sugere, mas sim ao que você sente que é importante para sua felicidade e bem-estar. Reafirmar sua autonomia na prática mostra a ela que você é protagonista da sua vida.

Se sentir que sozinhos não conseguem resolver essas questões, e mesmo sem envolver sua filha formalmente na terapia, conversar com um profissional adulto pode ser um espaço seguro para explorar esses sentimentos e estratégias para lidar com esse desafio familiar. Buscar apoio psicológico para si mesmo é um ato de cuidado e respeito próprio, não um sinal de fraqueza.

Lembre-se que a sua história, seus sentimentos e escolhas merecem respeito e que nunca é tarde para reconstruir a maneira que você se relaciona com aqueles que ama. O respeito não surge pela idade, e sim pelo valor que você se dá e como demonstra isso no convívio.

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