Psicóloga e IA
Eurico, sinto muito que você esteja passando por essa situação que parece diminuir sua autonomia e sua identidade diante de sua própria filha. É fundamental resgatar seu senso de agência e sua voz nas decisões que envolvem sua vida. Muitas vezes, o desejo de ajudar de pessoas próximas pode ultrapassar limites e acabar gerando sentimentos de invasão e perda de respeito.
O ponto de partida para recuperar essa dinâmica mais saudável com sua filha é estabelecer limites claros e respeitosos. Você pode, por exemplo, expressar a ela de forma tranquila e firme que aprecia a preocupação, mas que precisa ser tratado como um adulto capaz de decidir sobre seus caminhos, inclusive sobre namorar ou não. Deixar claro seus sentimentos sem acusar, mas mostrando descontentamento com a forma como ela tem agido, ajuda a trabalhar um diálogo mais equilibrado.
Ao mesmo tempo, seria benéfico buscar fortalecer sua autoestima de forma independente, dedicando-se às suas atividades, interesses e relacionamentos sociais que façam sentido para você. Isso não necessariamente precisa estar vinculado ao que sua filha sugere, mas sim ao que você sente que é importante para sua felicidade e bem-estar. Reafirmar sua autonomia na prática mostra a ela que você é protagonista da sua vida.
Se sentir que sozinhos não conseguem resolver essas questões, e mesmo sem envolver sua filha formalmente na terapia, conversar com um profissional adulto pode ser um espaço seguro para explorar esses sentimentos e estratégias para lidar com esse desafio familiar. Buscar apoio psicológico para si mesmo é um ato de cuidado e respeito próprio, não um sinal de fraqueza.
Lembre-se que a sua história, seus sentimentos e escolhas merecem respeito e que nunca é tarde para reconstruir a maneira que você se relaciona com aqueles que ama. O respeito não surge pela idade, e sim pelo valor que você se dá e como demonstra isso no convívio.