Psicóloga e IA
Clara, sua experiência é compreensível e reflete um momento de transição significativo. A saída de um filho adulto do lar, mesmo que para uma conquista profissional, pode desencadear uma reavaliação do próprio papel e uma ansiedade ligada à distância. O diagnóstico médico de distonia vegetovascular frequentemente está associado a respostas do sistema nervoso a estresse emocional prolongado, e suas palpitações e sensação de vazio são manifestações físicas dessa angústia. É positivo que você já busque técnicas de relaxamento e esteja atenta à dinâmica de reprimir sentimentos para não sobrecarregar os filhos, pois isso é um ponto central para trabalharmos.
Em relação às técnicas psicológicas de defesa e auto-hipnose, é importante entender que as defesas são processos automáticos. O foco, portanto, deve ser em desenvolver estratégias conscientes de regulação emocional que permitam acolher e processar esses sentimentos, em vez de apenas reprimi-los. A auto-hipnose pode ser uma ferramenta valiosa nesse processo. Ela pode ser usada para induzir um estado de relaxamento profundo e, nesse estado, trabalhar com visualizações e sugestões positivas. Você poderia, por exemplo, em um estado de auto-hipnose, visualizar um lugar seguro e tranquilo dentro de si, e então criar uma imagem simbólica de conexão saudável com seus filhos, como uma luz ou um fio elástico que os une, permitindo independência mas mantendo o vínculo. Outra sugestão é usar afirmações como "Eu permito que meus filhos vivam suas jornadas e confio na criação que lhes dei" ou "Minha paz interior é independente da localização geográfica das pessoas que amo". A prática regular é fundamental para consolidar esses novos caminhos neurais.
Além da auto-hipnose, outras abordagens são complementares. A reestruturação cognitiva, que é identificar e questionar pensamentos automáticos como "algo ruim vai acontecer com ele longe de mim" ou "minha vida perdeu o sentido principal", ajuda a reduzir a ansiedade na fonte. Técnicas de mindfulness e aceitação são poderosas para lidar com a sensação de vazio. Em vez de lutar contra o sentimento ou tentar preencher o vazio imediatamente, pratique observá-lo com curiosidade e sem julgamento, percebendo-o como uma onda que vem e vai. Isso diminui o seu poder assustador. É crucial também criar um espaço seguro para expressar suas emoções, seja através de um diário, de conversas com amigos ou em psicoterapia. Reprimir sentimentos para proteger os filhos pode, a longo prazo, criar uma comunicação superficial. Você pode aprender a compartilhar seus sentimentos de uma forma autêntica mas não dependente, dizendo, por exemplo, "Sinto sua falta, mas fico feliz por sua oportunidade", modelando assim uma forma saudável de lidar com a saudade.
Para lidar com a transição familiar sem afetar a relação, o equilíbrio é a palavra-chave. Mantenha uma comunicação afetiva e interessada, mas respeitando o espaço e a nova rotina deles. Combine horários para chamadas de vídeo que sejam convenientes para todos, evitando o excesso de contato que pode nascer da ansiedade. Paralelamente, invista no reinvestimento em sua própria identidade e projetos pessoais. Este é um momento para redescobrir interesses, hobbies, amizades e aspectos de si mesma que podem ter ficado em segundo plano durante os anos de criação dos filhos. Ao nutrir sua própria vida, você diminui a carga emocional colocada no vínculo com os filhos e encontra novas fontes de satisfação. Lembre-se de que sua ansiedade é um sinal de amor, mas também um convite para cuidar de si com a mesma dedicação que sempre cuidou deles. Se as técnicas de autoajuda não forem suficientes, buscar apoio em psicoterapia seria um excelente passo para navegar por essa fase com mais profundidade e suporte profissional.